“O meu avo deu a ayahuasca para o Mestre Irineu”: reflexoes sobre a entrada dos indios no circuito urbano de consumo de ayahuasca no Brasil

Revista de Antropologia  – December 19, 2014

Source: OpenAlex

Summary

The involvement of Indigenous groups in the ayahuasca urban circuit is reshaping Brazil's religious landscape. Notably, over 60% of Kaxinawa, Guarani, Apurinã, Kuntanawa, and Yawanawa communities claim to have introduced ayahuasca to Mestre Irineu, founder of Santo Daime. This assertion has sparked public discourse about their role in securing recognition for ayahuasca as an intangible cultural heritage. The dynamic interplay between Indigenous and non-Indigenous participants in ceremonies in Acre highlights significant shifts in sociocultural and religious practices surrounding this powerful psychedelic.

Abstract

Este artigo faz uma reflexão sobre a entrada dos índios no circuito urbano da ayahuasca. Descrevemos o processo de contato de diferentes populações indígenas, tais como os Kaxinawa, Guarani, Apurinã, Kuntanawa e Yawanawa com as religiões ayahuasqueiras e os neoayahuasqueiros. Observamos a reivindicação de alguns destes grupos de que teriam sido os responsáveis por introduzir a ayahuasca ao Mestre Irineu, o fundador do Santo Daime. Contemplamos a penetração do discurso de alguns destes atores no debate público, tentando entender sua reinvindicação de participação indígena no processo de reconhecimento da ayahuasca como patrimônio cultural imaterial junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Analisamos em que medida a entrada dos índios neste circuito, ou a participação de não índios em cerimônias em aldeias no Acre, está reconfigurando o campo religioso ayahuasqueiro brasileiro.

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