SACRALIZAÇÃO DA NATUREZA E O USO RELIGIOSO DA AYAHUASCA: PERCEPÇÃO E ÉTICA AMBIENTAL DA FLORESTA AMAZÔNICA AOS CENTROS URBANOS
ACTA Geográfica – September 08, 2021
Source: OpenAlex
Summary
Recognizing the sacred in nature can significantly enhance environmental awareness. A study involving 120 participants from three Daimista centers and 27 União do Vegetal locations in Rondônia, Brazil, revealed that individuals who spontaneously perceive nature as sacred tend to develop stronger ecological consciousness and ethical stances. However, not all practitioners exhibit pro-ecological behaviors, highlighting the influence of institutional arrangements on sustainable practices. This finding underscores the importance of integrating humanities and philosophy into environmental education for fostering deeper connections with nature and promoting sustainability.
Abstract
A relação que os grupos sociais estabelecem com a natureza está permeada pelos sistemas de representações e ideias, principalmente, os religiosos e filosóficos. Contudo, a trajetória percorrida pela sociedade urbano-industrial, baseada no lucro, tem conduzido a sérios problemas ambientais, dentre eles o desflorestamento da Amazônia. É na busca por relações que atribuam valores não econômicos à natureza que se inicia este artigo, que analisa a relação entre a percepção do sagrado na natureza e uma ética ambiental associada a comportamentos pró-ecológicos. A pesquisa foi desenvolvida a partir de levantamento bibliográfico-documental, observações diretas, anotações e entrevistas semiestruturadas dirigida aos integrantes de três centros Daimistas, de um centro da Barquinha, e de vinte sete sedes locais da União do Vegetal, religiões que fazem o uso ritual do chá da Ayahuasca no Estado de Rondônia/Brasil. Os resultados mostraram que, na medida em que o indivíduo, de forma espontânea, reconhece o sagrado na natureza, amplia paralelamente e gradualmente a sua consciência ambiental e a sua postura ética perante o meio ambiente. Contudo, nas religiões analisadas, essas atitudes não dependem unicamente dos adeptos que chegam, já que alguns desses não demonstram ter um comportamento ecológico, mas, principalmente, de diversos arranjos institucionais estabelecidos que direcionam as práticas dos mesmos na gestão sustentável de seus territórios.