Medical Drug or Shamanic Power Plant: The Uses of Kambô in Brazil
Ponto Urbe – December 30, 2014
Source: OpenAlex
Summary
Kambô, a secretion from the Phyllomedusa bicolor frog, is gaining popularity in urban Brazil and has spread to North America and Europe. Traditionally used by Indigenous groups in the Amazon for hunting and revitalization, its appeal lies in both its biochemical properties and spiritual significance. The practice thrives in alternative therapy clinics and ayahuasca religions, with diverse practitioners including Indigenous people, ex-rubber tappers, holistic therapists, and doctors. This ethnography explores how these practitioners view kambô as a "plant of power," similar to peyote and ayahuasca.
Abstract
Desde a metade da última década, em grandes cidades do Brasil, começou a se difundir o uso da secreção da perereca Phyllomedusa bicolor. Um pouco mais tarde, partir da segunda década deste século, tornou-se possível alcançar informações sobre tal difusão em cidades europeias e norte-americanas. Tradicionalmente usada como revigorante e estimulante para caça por grupos indígenas do sudoeste amazônico (entre eles, Katukina, Yawanawá e Kaxinawá), tem havido um duplo interesse pelo kambô: como um “remédio da ciência” – no qual se exaltam suas propriedades bioquímicas – e como um “remédio da alma” – onde o que mais se valoriza é sua “origem indígena”. A difusão urbana do kambô tem-se dado, sobretudo, em clínicas de terapias alternativas e no ambiente das religiões ayahuasqueiras brasileiras. Os aplicadores são bastante diversos entre si: índios, ex-seringueiros, terapeutas holísticos e médicos. Neste artigo apresentamos uma etnografia da difusão do kambô, analisando sobretudo o discurso que esses diversos aplicadores têm elaborado sobre o uso da secreção, compreendida por alguns como uma espécie de ‘planta de poder’, análoga ao peiote e a ayahuasca.