Os outros da festa: um sobrevoo por festivais yawanawa e huni kuin
Horizontes Antropológicos – August 01, 2018
Source: OpenAlex
Summary
Festivals hosted by the Yawanawa and Huni Kuin peoples in Acre are transforming cultural expressions and interactions with "nawa" (whites). Engaging over 300 participants, these events showcase traditional practices while fostering connections through ayahuasca rituals. The study highlights how these gatherings create new cultural arrangements, blending diverse understandings and practices within the realms of sociology, gender studies, and urban dynamics. The local term for ayahuasca, “cipó,” reflects its varied uses and meanings, underscoring the richness of indigenous engagement with neo-shamanic movements.
Abstract
Resumo Este artigo reflete sobre relações dos Yawanawa e dos Huni Kuin, povos de língua pano residentes no Acre, com os nawa (“brancos”), especialmente com religiões ayahuasqueiras e movimentos (neo)xamânicos. Atualmente, algumas aldeias yawanawa e huni kuin vêm promovendo festivais, como um modo de apresentar a cultura. Como bons anfitriões, recebem com beleza e entusiasmo os nawa (“brancos”) para fazer festa e sentir a força da floresta. Analisaremos como certos modos expressivos emergem destes encontros e sobre o que são capazes de produzir em termos de novos arranjos. Consideraremos a centralidade das festas e da ayahuasca em processos inventivos da cultura, evidenciando traduções de mundos diversos, por meio de fluxos multidirecionais de entendimentos, categorias e práticas festivas e xamânicas. Acompanharemos os caminhos de usos e transformações do chá, aqui designado pelo nome local “cipó” – em suas multiplicidades ontológicas enquanto daime, uni ou nixi pae – a partir da diversidade de relações que indígenas yawanawa e huni kuin estabelecem com religiões ayahuasqueiras, especialmente com o Santo Daime.