POTENCIAL TERAPÊUTICO DA HOASCA NO TRATAMENTO DA DEPRESSÃO: REVISÃO DE ESCOPO
Adrian Santos de Souza, Endiamara Magda Segala Shigemori, Celso Ferraz Bett
Revista Políticas Públicas & Cidades April 2, 2026 Peer reviewed DOI: 10.23900/2359-1552v15n4-4-2026 via OpenAlex
Summary
The study reviews recent scientific evidence on the therapeutic use of hoasca (ayahuasca) for depression, highlighting its rapid and lasting antidepressant effects. It found that hoasca's efficacy is linked to the interaction between DMT and β-carboline alkaloids, which enhance serotonin availability and promote BDNF production. Clinical results indicate significant reductions in depressive and anxious symptoms, with effects observed within 24 hours and lasting up to 21 days. However, further controlled clinical trials are needed to confirm its safety and efficacy.
Study at a glance
| Design | scope review |
|---|---|
| Sample size | 12 |
| Population | scientific publications on hoasca and depression from 2016 to 2024 |
| Key finding | Hoasca shows promising therapeutic potential as an adjunct treatment for depression, demonstrating significant reductions in symptoms with rapid onset. |
Abstract
A depressão é uma das principais causas de incapacidade no mundo, e suas abordagens terapêuticas convencionais, embora eficazes para muitos pacientes, ainda apresentam limitações significativas, como início tardio dos efeitos e resistência ao tratamento. Nesse contexto, destaca-se a hoasca, também conhecida como ayahuasca, uma infusão amazônica tradicional composta por Banisteriopsis caapi e Psychotria viridis, que tem despertado interesse científico crescente devido ao seu potencial antidepressivo rápido e duradouro. OBJETIVO: O objetivo deste estudo foi revisar e mapear as evidências científicas recentes acerca do uso terapêutico da hoasca na depressão, explorando seus mecanismos farmacológicos e efeitos clínicos. METODOLOGIA: Trata-se de uma revisão de escopo conduzida conforme a metodologia de Arksey e O’Malley (2005) e as diretrizes PRISMA-ScR, com busca nas bases PubMed, SciELO e Google Acadêmico, incluindo publicações entre 2016 e 2024. Foram inicialmente identificados 202 estudos, dos quais 12 preencheram os critérios de inclusão e foram analisados quanto à metodologia e resultados. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Observa-se que os efeitos antidepressivos da hoasca estão relacionados à interação entre a dimetiltriptamina (DMT) e os alcaloides β-carbolínicos, como a harmina e a tetrahidroharmina, que inibem a enzima monoamina oxidase (MAO), aumentam a disponibilidade de serotonina e estimulam a produção do fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF). Os resultados clínicos mostram redução significativa dos sintomas depressivos e ansiosos, melhora do humor e da ideação suicida, com efeitos rápidos, frequentemente observados nas primeiras 24 horas após a administração, e sustentados por até 21 dias. Além dos mecanismos farmacológicos, o contexto ritualístico, a preparação emocional e o ambiente (“set and setting”) mostraram-se determinantes na resposta terapêutica e na integração das experiências psicológicas e espirituais relatadas pelos participantes. CONCLUSÃO: Conclui-se que a hoasca apresenta potencial terapêutico promissor como adjuvante no tratamento da depressão, aliando ação neurobiológica e efeitos psicossociais. Contudo, ressalta-se a necessidade de novos ensaios clínicos controlados, com amostras amplas e rigor metodológico, para confirmar a segurança, a eficácia e o uso ético dessa substância em contextos clínicos.