Meditação, mindfulness, impermanência e não-eu: revisão integrativa sobre interfaces entre Psicologia, Neurociência e Budismo
Revista Sociedade Científica July 1, 2026 Peer reviewed DOI: 10.61411/rsc202641519 via OpenAlex
Summary
Practices derived from Buddhist meditation are associated with attention regulation, reduced rumination, changes in self-referential circuits, and increased compassion and emotional self-regulation. However, the literature reveals methodological heterogeneity, small sample sizes, challenges in comparing meditation techniques, and risks of biological reductionism when translating Buddhist concepts into neuroscientific language. The integration of Psychology, Neuroscience, and Buddhism shows promise but needs more conceptual and methodological rigor.
Study at a glance
| Design | integrative review |
|---|---|
| Key finding | Practices meditativas estão associadas à regulação atencional, à redução de ruminação, a mudanças em circuitos ligados à autorreferência e a ganhos de compaixão e autorregulação emocional. |
Abstract
Este estudo teve como objetivo analisar criticamente, por meio de revisão integrativa, como a literatura científica tem articulado práticas meditativas de matriz budista, constructos psicológicos e achados neurocientíficos, com ênfase em mindfulness, compaixão, impermanência e não-eu. Adotou-se um protocolo reconstruído e explicitado para esta versão do manuscrito, com buscas nas bases PubMed, SciELO, PEPSIC e Google Acadêmico, utilizando descritores em português e inglês relacionados a budismo, mindfulness, meditação, psicologia, neurociência, self e impermanência. Foram priorizados artigos, capítulos e livros acadêmicos com aderência direta ao problema de pesquisa, em português e inglês, excluindo-se textos opinativos, enciclopédias colaborativas, blogs e materiais jornalísticos. Após triagem temática e metodológica, o corpus analítico concentrou-se em estudos que discutiam evidências empíricas, formulações teóricas e limites interpretativos dessa interface interdisciplinar. Os estudos convergem ao indicar que práticas meditativas estão associadas à regulação atencional, à redução de ruminação, a mudanças em circuitos ligados à autorreferência e a ganhos de compaixão e autorregulação emocional. Entretanto, a literatura também aponta heterogeneidade metodológica, amostras reduzidas, dificuldade de comparação entre técnicas meditativas e risco de reducionismo biológico ao transpor conceitos budistas para a linguagem neurocientífica. Conclui-se que a aproximação entre Psicologia, Neurociência e Budismo é promissora, mas requer maior rigor conceitual e metodológico, especialmente na distinção entre evidência empírica, interpretação filosófica e aplicação clínica.