Por uma abordagem ecológica dos efeitos anti-depressivos da ayahuasca
Danielli Katherine Pascoal Da Silva
Ponto Urbe June 30, 2017 DOI: 10.4000/pontourbe.3443 via OpenAlex
Summary
AI-generated from the abstractBased on fieldwork with Vegetal preparations in the UDV, the effects of Hoasca are not attributed exclusively to DMT in Psychotria Viridis and the beta-carbolines in Banisteriopsis Caapi, but to mutual learning between human and plant intelligences. This view aligns with Indigenous perspectives in which ayahuasca is seen as a being whose therapeutic action depends on relationships among humans and with other beings. Recent neuroscience studies present ayahuasca as a promising next-generation antidepressant, conceptualizing depression as an imbalance in brain monoamines and evaluating antidepressant effects through interactions between DMT/beta-carbolines and serotonin, norepinephrine, and dopamine.
Study at a glance
| Characteristics | Theoretical or philosophical paper Peer reviewed |
|---|---|
| Topics | Ayahuasca |
| Keywords | Humanities Psychology |
| Citations | 5 |
| Key finding | Ayahuasca's therapeutic effects should be understood through an ecological approach emphasizing mutual learning between human and plant intelligences, rather than solely through biochemical mechanisms. |
Abstract
A partir de pesquisa de campo em preparos de Vegetal na UDV,notei que os efeitos da Hoasca não são atribuídos exclusivamente à Dimetiltriptamina (DMT) presente na Psychotria Viridis e nas betacarbolinas do Banisteriopsis Caapi, mas à mútua aprendizagem entre inteligências humana e Vegetal. Esta concepção assemelha-se com outras indígenas, nas quais a ayahuasca é vista como um Ser cuja ação terapêutica depende de relações entre seres humanos e destes com outros seres. Os recentes estudos em neurociências, por sua vez, apontam a ayahuasca como um promissor antidepressivo da nova geração de tratamentos farmacológicos. A depressão é caracterizada principalmente como um desequilíbrio nas monoaminas cerebrais e os efeitos antidepressivos são avaliados com base nas alterações provocadas pela interação entre a DMT/Betacarbolinas e três neurotransmissores: a serotonina, a norepirefrina e a dopamina. Pretendo traçar diferenças entre tais concepções sobre a ayahuasca, substância e saúde, refletindo com Ingold e Matthew Ratcliffe, no intuito de esboçar uma abordagem ecológica dos efeitos anti-depressivos experimentados com a ayahuasca. No caso da ayahuasca enquanto antidepressivo levanto as seguintes questões: quais os limites desta caracterização bioquímica da ayahuasca e da depressão? Quais as possíveis consequências da dissociação dos efeitos da ayahuasca de seus contextos espirituais/terapêuticos? Em que medida esta dissociação abrevia processos reflexivos de aprendizagem entre humanos e plantas ao privilegiar a interação entre substâncias como causa dos benefícios terapêuticos?