Encruzilhadas da imprensa:

Revista de Antropologia da UFSCar  – December 01, 2009

Source: OpenAlex

Summary

Ayahuasca use in Brazil has surged, with alarming reports of trafficking and fatalities linked to this psychedelic. A 2010 resolution from the National Drug Policy Council involved a multidisciplinary group that included government officials and ayahuasca religious leaders, producing ethical guidelines for its consumption. Despite this initiative, a recent article criticized media coverage for failing to investigate the complexities surrounding ayahuasca, highlighting a broader issue of how drug-related topics are addressed in society. Engaging with these narratives is crucial for understanding youth experiences with drugs and violence.

Abstract

Recentemente, a Revista Isto É publicou uma reportagem de capa sobre o uso da ayahuasca1 no país, intitulada “As Encruzilhadas do Daime.” 2 O texto noticia que o uso da ayahuasca teria sido “liberado pelo governo federal,” denotando complacência com um “quadro de desorganização e alto risco,” um alarmante “tráfico de ayahuasca” e uma “série de mortes” associadas ao consumo do perigoso “chá alucinógeno.” A notícia principal à qual se refere a reportagem é a recente publicação no Diário Oficial da União da Resolução no 1 do Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (CONAD), de 25 de janeiro de 2010.3 Esta resolução consistiu na publicação do Relatório Final do 4Grupo Multidisciplinar de Trabalho sobre a Ayahuasca (GMT), concluído em 2006. O GMT reuniu representantes do governo, cientistas de várias áreas e líderes das religiões ayahuasqueiras, e produziu um documento estabelecendo uma deontologia do uso da ayahuasca, isto é, uma série de regras e princípios éticos orientando o consumo da ayahuasca. Realizarei aqui uma análise desta reportagem, e apontarei como ela não investiga o que anuncia investigar. Este texto, é importante notar, não pretende fazer uma reflexão 5mais sistemática sobre como a mídia lida com o tema das drogas. No final, apresento um breve comentário sobre os dilemas do antropólogo diante da imprensa, esperando, assim, estimular reflexões análogas em meus colegas.

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