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territórios do sagrado e do bem viver: saberes kanamari, ancestralidade e resistência indígena

Inory Kanamari

Zenodo (CERN European Organization for Nuclear Research) May 14, 2026 DOI: 10.5281/zenodo.20182819 via OpenAlex

Summary

Drawing on Kanamari experience and cosmology, this collection of texts examines Indigenous identity, ancestral knowledge, spirituality, art, and resistance against ongoing coloniality. The trajectory of Indigenous artist Jaime Riveros exemplifies the struggle against structural racism and cultural marginalization, showing how art becomes a tool for identity affirmation and denouncing exclusion. The texts address the sacred use of Ramih (ayahuasca) and other ancestral remedies like kambô, condemning their appropriation, trivialization, and indiscriminate use outside traditional territories and rituals.

Study at a glance

Characteristics Theoretical or philosophical paper Peer reviewed
Keywords Ethnography Belief system Humanities Philosophy Art
Key finding Kanamari sacred practices and art resist coloniality and affirm Indigenous identity, while the commodification of ancestral medicines violates their spiritual and territorial foundations.

Abstract

O conjunto de textos reúne reflexões e narrativas a partir da experiência e da cosmovisão do povo Kanamari, articulando identidade indígena, saberes ancestrais, espiritualidade, arte e resistência frente às múltiplas formas de colonialidade ainda vigentes. A trajetória do artista indígena Jaime Riveros é apresentada como símbolo da luta contra o racismo estrutural e a marginalização nos circuitos culturais, evidenciando como a arte se constitui como ferramenta de afirmação identitária e denúncia das exclusões impostas aos povos originários. Os textos abordam, ainda, o uso sagrado do Ramih (ayahuasca) e de outros remédios ancestrais, como o kambô, denunciando sua apropriação, banalização e uso indiscriminado fora dos territórios e rituais tradicionais. A partir da perspectiva Kanamari, esses saberes não são compreendidos como substâncias, mas como práticas espirituais profundamente vinculadas ao território, à ancestralidade e à ética do cuidado coletivo, conduzidas exclusivamente pelos Marinawas, guardiões do conhecimento. Ao problematizar a transformação do sagrado em mercadoria e entretenimento, o texto afirma o Bem Viver como princípio ético-político fundamentado na interdependência entre humanos, natureza e mundo espiritual. Nesse sentido, os territórios indígenas emergem como espaços vivos de conhecimento, onde a proteção da cultura, da espiritualidade e da biodiversidade constitui uma mesma luta. O conjunto propõe, assim, uma crítica contundente às formas de violação cultural e epistemológica, reafirmando o direito dos povos indígenas de existir, narrar e proteger seus próprios mundos.

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