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Pedagogia da Ayahuasca: Por uma decolonização epistêmica do saber

Maria Betânia Barbosa Albuquerque

Education Policy Analysis Archives July 22, 2018 DOI: 10.14507/epaa.26.3519 via OpenAlex

Summary

AI-generated from the abstract

Ayahuasca, a plant-based beverage used in the Santo Daime religion, functions as a non-human teacher in a unique form of education. Followers learn from the plant through ritual consumption, acquiring knowledge that challenges conventional epistemic boundaries. This article examines the educational dimension of daime, the kinds of knowledge it generates, and the epistemological framework required to understand such pedagogy. Drawing on literature about ayahuasca and Santo Daime, as well as oral testimonies from practitioners in Brazil and abroad, the analysis employs a broad concept of education as culture, critiques the epistemic sovereignty of science, and uses the notion of cultural mediators. The article argues that this plant-mediated learning expands what counts as valid knowledge beyond Western scientific paradigms.

Study at a glance

Characteristics Theoretical or philosophical paper Peer reviewed
Keywords Humanities Sociology Philosophy
Citations 3
Key finding The article argues that ayahuasca-mediated learning in the Santo Daime religion constitutes a legitimate form of education that challenges the epistemic sovereignty of science and expands the definition of valid knowledge.

Abstract

O artigo analisa uma modalidade singular de educação mediada pelo consumo da ayahuasca, bebida feita de plantas de origem amazônica utilizada no contexto ritual da religião do Santo Daime. Em função das diversas aprendizagens que engendram, essas plantas são consideradas pelos adeptos como professoras. Mas, como compreender essa educação cujo mestre não é um humano e sim uma planta? Que saberes perpassam uma tal prática educativa? Como situar epistemologicamente esse tipo de educação? São questões refletidas neste artigo que tem como objetivo analisar a dimensão educativa do daime e os saberes que perpassam essa experiência pedagógica, bem como refletir sobre a lógica epistêmica que caracteriza essa experiência. Para tanto, considera a bibliografia relativa ao uso da ayahuasca e à religião do Santo Daime, bem como depoimentos orais de pessoas que consomem o daime em diferentes regiões do Brasil e do exterior. Teoricamente, o artigo apoia-se no conceito amplo de educação como cultura suscitado por Brandão (2002); na crítica epistemológica de Boaventura de Sousa Santos (2008, 2009) relativa à soberania epistêmica da ciência em seu afã de legislar sobre o que conta como conhecimento válido, bem como no conceito de mediadores culturais do historiador Serge Gruzinski (2003).

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